12 de novembro de 2012

A Generosidade de assumir um problema que não é seu

 Imagem: mdemulher.abril.com.br
 
Hoje eu vou falar de um assunto delicado que atinge muitas pessoas: ter de assumir dívidas que não lhes pertencem. Já aconteceu comigo, já vi casos difíceis ocorrerem com amigos, e sempre vejo casos na TV de pessoas que emprestam cartões de crédito, entram como sócias minoritárias em empresas só para constar ou dão seu nome como fiador para terceiros. É claro que existem alguns casos inevitáveis, como desemprego e dívidas que são contraídas por casos de doenças graves. Mas, na esmagadora maioria das vezes, as dívidas são feitas por atos impensados, impulsivos e irresponsáveis.

O consumismo exacerbado que atinge nossa sociedade pode bem ser o tema para um outro post; por hora é relevante dizer apenas que o consumismo que gera dívidas é uma praga que pode e deve ser evitada. Consumir demais é se cercar do supérfluo, quere ter algo que você mais deseja do que precisa. Consumir demais é viver em um padrão de vida acima do seu, é não viver de acordo com sua realidade; é gastar mais do que você ganha; é querer acompanhar o ritmo de vida de pessoas que possuem posses muito superiores às suas; é viver em uma ilusão, em um mundo de falsas verdades, de soberba e de aparências.

E o resultado de tudo isso: dívidas. Porque, se a pessoa vive fora da sua realidade, ela vai gastar além do seu orçamento, vai investir acima da sua capacidade em um negócio, vai se deslumbrar com a facilidade de crédito e parcelamentos, chegando às vezes a muito além do seu limite e é nesse ponto que pessoas que não tem nada a ver com isso são prejudicadas.

Pois, em sua ânsia de viver com intensidade, de possuir um alto status social, de desfilar usando as grifes da moda e de investir no seu futuro (e incerto) sucesso empresarial, os deslumbrados não medem esforços, não pensam no amanhã e não se preocupam com quem podem vir a prejudicar.

E, ao chegarem a uma situação crítica, beirando o insolúvel, chega o momento dessas pessoas transferirem (ou simplesmente deixar que outros assumam) os seus problemas. Para quem assume uma dívida que não lhe pertence, é um processo doído. Dói muito ter de se utilizar as vezes de recursos tão duramente economizados para ter de resolver pendências que não lhe dizem respeito. Parece a história da formiga e da cigarra: no verão, enquanto a formiga trabalhava, a cigarra cantava. No inverno, quando a cigarra viu-se completamente sem ter o que comer, teve de apelar para a generosidade da pobre formiguinha.

Se você encontra-se em uma situação como esta, o que fazer? Por mais que pareça brincadeira o que eu vou dizer, ser generoso e ajudar é ainda a melhor opção. Resolver o problema, encontrar soluções, pagar a dívida. Como disse antes, é doído. Não é uma decisão fácil nem simples, mas é a solução que te dará paz de espírito. Consumir todos os seus recursos, recomeçar do zero se for preciso, mas resolver a situação que está tirando a sua paz de espírito deve ser o caminho. Se na sua vida, você precisar recomeçar do zero mesmo que sejam inúmeras vezes, faça. Pois, ter a sua tranquilidade, a sua paz de espírito é essencial para uma vida feliz.

Por isso, seja generoso. Assuma um problema que não foi criado por você mas que está o prejudicando  ou prejudicando pessoas a quem você ama e o resolva, se isso for possível e se estiver ao seu alcance. Não reclame ou recrimine, apenas resolva o problema. Deus verá o seu esforço e, eu tenho certeza, a sua generosidade será futuramente paga algumas vezes multiplicada, em diversos sentidos. Você receberá muito mais do que deu, a sua boa ação retornará a você na forma de diversas recompensas.

Mais uma coisa, muito importante: resolva o problema sim, mas imponha limites para o futuro. Corte o mal pela raiz em todos os âmbitos, inclusive no sentido de educar a pessoa e deixar claro que você é generoso, mas não é idiota, nem ingênuo e que a ela deverá assumir as consequências de todos os seus atos no futuro.

Seja desprendido, meu amigo, inteligentemente sábio e generoso. Não chore pelo que passou, mas olhe para o futuro com um sorriso de esperança. Pois, tudo o que você crê que pode vir de bom, virá naturalmente ao seu encontro.



7 comentários:

  1. Kate isso é tudo reflexo da pós-modernidade, somos o que aparentamos possuir, os valores atuais são consuma e será aceito socialmente.
    Infelizmente chegamos no ápice do capitalismo e tenho receio que as pessoas esqueçam o real objetivo da vida e principalmente deixem de lado a sua espiritualidade.

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  2. Muito bom esse post,tenho muito medo de emprestar meu nome,já fiz
    isso uma vez e assumi uma dívida que não era minha :(
    Boa semana.
    Bjinhus

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  3. Ainda não passei por esta situação, mas que deve dar uma revolta, mas não adianta chorar o leite derramado, o importante é vc mesmo assumir e seguir em frente.
    Bjs.

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  4. KATE Obrigada pelas dicas... este espaço tem sido muito importante para mim, ainda não sei como interagir direito aqui no seu blog mas aos poucos vou aprendendo1!!!
    Tudo de otimo para vc!!!!
    Beijos

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  5. Você está certíssima com a sua opinião e com sua análise. Mas vale também lembrar que existem também aqueles casos em que a pessoa "em falta" pode ser também uma vítima de uma terceira pessoa. Eu mesmo conheço um caso assim. A pessoa foi iludida
    por uma terceira pessoa, e quando percebeu, estava encalacrada. Esta pessoa teve um duplo sofrimento e nunca mais foi a mesma! Portanto, seu conselho está corretíssimo! E como você mesma disse, a recompensa não faltará!

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  6. Não lembro se já comentei aqui, mas várias vezes parece que Deus me envia pra cá pra refletir sobre algo que está me tirando a paz.

    Infelizmente estou com esse dilema: ajudar ou não quem enrolou o meu nome pra usufruir de supérfluos. E não foi uma, não foi duas... foram várias vezes. Imponho limites, mas parece que a pessoa sempre os burla. Mas como amo, acabo sempre dando um jeito, resolvendo. A questão é... as esperanças estão acabando, acabando... especialmente as que dizem que Deus está vendo e me recompensará, mesmo que seja com o céu um dia. Acho que porque existem pessoas que querem tanto me ver caindo, perdendo, sendo humilhada... enfim...

    tá dificil.

    Gostei muuuuito de ver que vc não abandonou o blog!
    Beijos.

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    1. Evelyn,

      Pessoas podem querer te ver caindo, mas eu te digo com propriedade: elas não te verão caindo, se você disser com muita fé: O MEU DEUS É MAIS FORTE!

      Eu sempre dizia que nada de mal, nenhum mau olhado, nenhuma inveja iria me pegar porque o meu Deus é enorme!

      Enorme, Evelyn! Diga isso.

      Quanto ao assunto, te entendo demais. Mas, vejo que no seu caso chegou a hora de cortar o mal pela raiz. Desinculando o seu nome de qq coisa que possa fazer esta pessoa usar. Se quer gastar, que gaste, com o seu proprio crédito. Ás vezes, sermos duros com quem amamos é uma maneira de ensinar a esta pessoa o que é o certo. Não tenha medo de fazer a coisa certa!

      Um beijo e tudo se resolverá mais fácil do que você imagina...

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